Filosofia orientalista e ciência ocidental
| Paulo Henrique MARTINS UFPE/Brasil |
| Ha, atualmente, no interior da academia uma preocupaçâo
efetiva de revisâo do campo cientifico cujas teorias, ainda fortemenet influenciadas
pela idéias do século XIX, nâo mais repondem adequadamente às
exigências de compreensâo da realidade social, do atual momento. Tentaremos,
na nossa reflexâo, destacar um aspecto preciso : a importância da filosofia
orientalista para a ampliaçâo deste campo, particularmente aquele das
ciências sociais. Sem exageros, as mundanças em curso apontam para uma
espécie de revoluçâo cientifica nos termos como foi proposto
por Thomas Kuhn (1983), observando-se mudanças tanto no imaginario cientifico
como no mundo que o inspira. No campo das ciências sociais, a revisâo epistemologica da destaque a novas compreensôes do que seja "realidade social", que também conhecem rapidas inovaçôes. Trata-se de um desafio particularmente dificil, visto que esta revisâo atinge as antigas representaçôes dualistas e simplistas da realidade -que dominava a episteme do campo cientifico classico, para integrar uma nova compreesâo tanto do que significa conceitualmente Sujeito e Objeto assim como das interaçôes complexas entre ambos os temas. Pretendemos, a partir da contribuiçâo oferecida pela visâo orientalista, avançar na critica à compartimentalizaçâo tradicional da realidade social entre os binômios objetivo/subjetivo ou, entâo, racional/irracional. Veremos que as heranças budista e taoista contribuem para desmistificar a subjetividade como algo pertencente ao dominio do arbitrario, do mesmo modo que torna relativa a distância entre o racional e o mistico. Existe no interior dessas disciplinas orientais uma preocupaçâo central em se explicar a complexidade de um mundo do qual o Homem é constitutivo como parte integrante do mesmo, recusando-se uma leitura simplista da realidade na qual o Homem aparece como uma inteligência externa às coisas do mundo. (...). Nos deteremos inicialmente na apreciaçâo do dualismo metodologico e de sua critica pela teoria da complexidade para, em seguida, apresentarmos a contribuiçâo tradiza para o Ocidente pela tradiçâo oriental. (...). |
| * Congrés Inter-Latin pour la Pensée Complexe |